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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS


O Natal é amanhã. Não dá para adia-lo. Se pudesse, o transferiria para semana que vem. Até lá, talvez já estivesse melhor. Digo minha cabeça já estivesse melhor. Eu e minha família tivemos finais de ano cheios de problemas a muitos anos em Brasília, a diferença é que naquela época eu era mais jovem, e estar ao lado dos meus irmãos era como ter muita força. Hoje não, ser calejado, com mais experiência que os anos trazem, não tornam menos doloridos os murros na ponta dos pregos.
Vocês devem se perguntar, afinal o que se passa com este babaca pra ele reclamar tanto? Todos passamos por problemas e seguimos em frente. Respondo, eu sei disto, e estou seguindo em frente. Depois, não sei dos outros, sei de mim. O que ocorre é que não é apenas um problema, são vários pequenos problemas que somados, me deixam com os nervos à flor da pele. Tem pessoas que grita, explode, põe pra fora. Eu não, o máximo que faço é me lamentar aqui pra muitos de vocês que nem ao menos me conhecem. E nem sei porque o faço. A arte me proporciona momentos de relaxamento, ma cadê aquele o tempo necessário pra tanto? São muitas cobranças. Queria que minha esposa pudesse ter um Natal menos tenso. Ela é um grande apoio que tenho. Mas a Graça de Deus não desaponta. Creio nisto. Estou fiado Nela. 
Sei também que numa época como esta estamos mais sensíveis ao que se passa ao nosso derredor. Necessitamos disto. Temos que inventar festas para nos alegrar. O Natal é a maior delas. Queremos nos dar a chance, ou a falsa impressão de que perdoamos as ofensas cometidas durante o ano e consequentemente sermos perdoados. O Aniversariante infelizmente é o menos lembrado.
Então, como não posso adiar o Natal, vou relaxar, beber um vinho e comer a ave na ceia de amanhã. Ainda bem que é uma ave pois sapos eu já engoli demais este ano. Devo me abastecer para engolir mais no próximo. Afinal, é inevitável. O mundo sempre despejará sobre você pessoas dispostas a lhe barrar o caminho. Peçamos a Deus, não que elas saiam da frente, mas forças para contorna-las. 
A postagem sobre o asilo de velhos que comentei ontem fica pra outra ocasião, ou não.
Aproveito também pra avisar que vou tirar umas fériazinhas deste blog. Me despeço hoje e retorno no dia três de janeiro, se Deus quiser.
A vocês que sempre me prestigiam com suas visitas e comentários, minha profunda gratidão e desejo a todos uma feliz ceia de Natal ao lado dos seus amados, e que as coisas que vocês não conseguiram realizar neste ano que finda, possam se concretizar neste que se aproxima. Cheguemos todos em 2011, com a forças renovadas para novos combates.
Deixo com vocês mais imagens da literatura infantil.
Deus abençõe a todos.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

SEM TÍTULO

 
Hoje era pra ser mais uma daquelas postagens amargas, digo isto porque não consigo evitar, uma vez que os últimos acontecimentos tem sido deprimentes na minha vida, outra porque as coisas que observo, me deixam mais azedo ainda. Eu deveria, mas não consigo me acostumar. 
No caminho para o mercado quase sempre passo em frente ao que chamam de "Casa de Repouso Geriátrico", um nome mais elegante para o asilo de velhos. Bom, a postagem era pra ser sobre isto. Era pra ser, mas não será. Fica para amanhã. Se Deus me permitir encontrar"o amanhã", é claro.
Hoje, tenho mais um destes acontecimentos que me tiram da rotina e só eu posso resolver.
O desenho é um destes que faço com a caneta esferográfica preta no sulfite. Pra eles eu não uso borracha.
Se tudo der certo amanhã nos encontramos de novo, então darei a vocês meus votos de boas festas. Apareçam.


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

REINO PERDIDO

Ok, vamos assumir que sou artista.
Nunca fiquei confortável com este epíteto. Isto porque conheço os trabalhos de artístas de fato, como José Roosevelt, Celso Mathias, Juarez Machado, Vanderly de Barros, e eu não chego nem aos pés destes caras, mas tem alguns malucos que gostam do que faço e acham que sou artista, então vamos lá, que eu seja um artista.
O curioso é que não escolhi ser artista, mas a arte me escolheu. Boa desculpa pra viver sempre sem dinheiro? Não. Na real, nunca teve algo que eu gostasse ao ponto de me dedicar mais que uma hora do meu tempo. Mas desde que peguei um lápis na mão, e com ele eu senti que podia no branco do papel retratar (de uma forma muito particular) uma visão de mundo, descobri a minha (acho que podemos chamar assim) vocação.
Como eu cheguei até aqui? Difícil dizer. Olhando para trás eu não vislumbro a estrada percorrida. Foram tantos cruzamentos e curvas, que não acho mais o fio da meada. Me perdi dentro do labirinto. A faculdade não me ensinou nada prático. Eu estudei com o mestre Edgar Cognat (breve farei uma postagem sobre ele), mas eu já desenhava (ou pensava que desenhava) ao chegar no estúdio dele.
Uma coisa porém eu tenho certeza, eu não queria ser um quadrinista, pelo menos nunca foi a minha ambição. A coisa aconteceu quase por acaso, ou antes da necessidade de me expressar de uma forma mais direta com um possível público. Não estou seguro de que tenha atingido este objetivo. Ainda preciso descobrir.
O que deslindei nestas ciências, foi por intuição.
Houve uma época em que imitei o Frank Frazetta, pintei um monte de telas com tópicos do gênero "sword and sorcery", sem me dar conta que nunca houve por aqui mercado para este tipo de coisa.
A arte que ilustra este post foi feita nos anos 90 em São Paulo. Foi um dos meus experimentos. Não tinha grana para telas então eu usava chapas de papelão, geralmente aquelas que serviam de suporte para camisas sociais ou então outras maiores que sustentavam os blocos de papel. As tintas eu misturava por percepção.
Um rei viking olhando para sua coroa em meio a um ambiente em ruínas. Alías, esta imagem foi o detalhe que pude escanear. Após tanto tempo é que vejo suas inúmeras imperfeições, não falo de cor ou anatomia, mas a maneira formal como retratei o assunto e a pobreza nos detalhes. Ora, se não gosto do trabalho para que expo-lo então? Como eu disse, há quem aprecie as coisas que faço, por estas pessoas é que este quadro permanece no meu potfólio.
Olhando hoje, dá pra notar o quanto tem de mim na situação vivida por este ex-monarca. O espaço caótico e todo desalento e inadaptabilidade que senti quase toda a minha vida. Deus me deu a arte para exorcizar estas incomodidades, porém atabalhoado que sou, não sei usa-la da forma que gostaria ou deveria.
Hoje, não pinto mais estes temas, o tempo não me permite mais aquelas descobertas. Tento ainda me encontrar dentro dos trabalhos encomendados, mas ali a ousadia raramente é pemitida. O curioso é que estes são pagos. Ironicamente, é como se aquilo que me permite sobreviver e sustentar a familia também servisse de instrumento que me poda as asas impedindo-me de alçar vôos mais altos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NORMA JEAN BAKER



Hello folks, tudo bem com vocês?
Lembram que numa postagem chamada "Ao som do sino" da semana passada eu metaforizava uma luta contra algumas situações adversas e ia à lona a cada golpe? Bem, eu dissera que os rounds durariam até sexta-feira, não foi? Pois bem, na referida data, pela infinita misericórdia de Deus ele entregou o adversário nas minhas mãos. Venci o embate. Ao Senhor Jesus seja a honra, a glória e o louvor hoje e para todo o sempre, amém.
Como este final de ano tem sido de muitas tribulações, não tenho tido tempo de refletir sobre qual arte postar aqui, tenho que pegar aquilo que pareça mais interessante no momento, sem muito critério. Ao passar a vista em algumas ilustrações topei com esta figura. Não gosto muito deste desenho mas pensei, porque não? Afinal, talvez algum de vocês apreciem. As vezes acontece.
Não lembro bem para qual revista eu fiz o trabalho (sério, tenho tido problemas para me recordar de coisas recentes). Sei que o tema foi enviado pelos editores, aliás eles me mandaram uma foto em preto e branco e pediram para fazer a arte colorida, a técnica ficou à minha escolha. Pensei num pastel seco mas desisti. Eles tinham pressa.
É certo que foi naqueles períodos em que tinha que fazer dois ou mais trabalhos paralelos, e isto é péssimo, pois você não se dedica direito nem a um nem a outro, mas as vezes a necessidade obriga. Bem, tive que me valer de um lápis de cor para acelerar o processo. Primeiro fiz um esboço a lápis para aprovação.
Não sei, antes eu trabalhava bem sobre pressão, hoje não mais. Tenho meu próprio método, meu tempo. Raramente fico satisfeito com o resultado da tarefa. 
Um dos meus sonhos é poder ler uma história em quadrinhos da minha autoria após ser publicada sem sentir constrangimento.
Por hoje é isto.
Que Deus nos dê a todos uma ótima semana.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CARTÃO POSTAL

Uma época da minha vida eu quis muito pintar índios brasileiros. Mas retrata-los de forma realista. Pensei mesmo em elaborar um projeto e leva-lo para a FUNAI. O prospecto consistia em pintar os silvícolas e tudo aquilo que fizesse parte do seu mundo. Eu iria até seu habitat, faria estudos, esboços, fotos, ou mesmo pintaria do natural se fosse este o caso. A questão era reproduzir a vida índigena toda a óleo, aquarela, carvão e o que mais me desse na telha. Um total de umas 100 telas para um museu dedicado ao índio onde depois outros artistas viriam pintar em seus estilos enriquecendo o acervo. Óbviamente eu iria querer receber bem pela tarefa. Seria algo semelhante ao que o grande James Bama fez com os índios americanos. É claro que eu não pinto como o Bama, ele é um fenômeno. Mas me paguem bem e eu aceito o desafio de fazer algo que chame bastante atenção. O fato é que desisti da idéia ao conversar com algumas pessoas ligadas ao governo. Ninguém iria me pagar para pintar índios. Não se faz isto aqui. Dei crédito quando certa vez fui obter informações sobre a BR-174, para fazer um quadrinho educativo para uma empresa que trabalhei em Brasília. No escritorio onde ficava a sede do departamento que daria continuidade ao trabalho de expanção da rodovia, fui recebido de maneira fria e até com desdém.
Bem, eu diria que valeu a intenção.
Fiz algumas pinturas de índígenas na década de 90. Mas naquele período, sem a internet, para você obter uma referência decente era tarefa quase impossível. Pelo menos para meus parcos recursos. Só encontrava fotos em preto e branco sem nenhum atrativo. Nem as bibliotecas tinham material que valesse a pena gastar numa xerox.
Resultado, muita coisa eu tive que criar, só para entrar no clima.
Pra pintar esta india eu usei como referência um cartão postal. É uma tela grande, aqui fotografada com câmera digital que infelizmente não captou as cores direito.
Por hoje é isto meus caríssimos.
Tenham todos um ótimo final de semana.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

INFANTIL ( 01 )


Dentro em pouco saio para a cidade. É bom espairecer de vez em quando. Gosto muito da minha prancheta, mas mesmo os casais mais apaixonados devem dar uma pausa para respirar. Saudade também faz bem. Apesar de que não estou indo com o intuito de me divertir, vou resolver algumas coisas, mas só o fato de me afastar, ainda que por poucas horas que seja, do bairro onde moro, da rotina, do trabalho, já é um alivio. Aproveito também pra visitar uns conhecidos de um estúdio de animação. Conversar um pouco com pessoas que não vejo faz tempo vai arejar um pouco minha mente.
As artes de hoje fazem parte de um livro infantil que estou ilustrando.
Desenho para crianças nunca foi a minha praia. Tenho um traço e cores violentos demais, próprio para adultos, e olha que ainda tem marmanjo que se escandaliza com o teor das minhas HQs. Meu texto então nem se fala.
Mas me esforcei para criar algo que agrade aos pequenos sem subestima-los e ainda manter minha identidade.
Me esqueci de pedir permissão  ao editor para antecipa-las aqui no blog, mas creio que não haverá problemas.
Um bom dia para todos.



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

OBRAS QUE RECOMENDO ( BOB E HARV )

Taí um gibi muito legal. 
O encontro de duas pessoas geniais nem sempre rendem obras significativas. Lembro de ter assistido a não muito tempo atrás, um filme em que reuniam Robert De Niro e Al Pacino  e achei a película presunçosa e previsível. Outro ainda trazia Marlon Brando, De Niro (de novo) e Edward Norton, e também este é esquecível. 
Nas HQs já aconteceu também de reunirem caras como Allan Moore e Todd MacFarlane e o produto da reunião ser uma piada. Acontece.
Mas não foi o caso da união do genial Robert Crumb com o esquisitasso Harvey Pekar. Não vou me delongar falando sobre a carreira de Pekar (falecido recentemente) e sua criação, AMERICAN SPLENDOR (uma HQ editada por muitos anos pelo próprio autor de forma independente, e muito elogiada pela crítica), afinal, existem com certeza pessoas mais gabaritadas pra isto. Até porque a unica coisa que li é o livro que comento e creio que isto baste por hora. Gostaria de ler a história que o Corben desenhou, mas não tenho paciência pra ficar procurando e baixando coisas da internet.
Do que trata a obra? Da vida, do cotidiano, de coisas simples que a principio não tem nenhuma relação conosco, mas que já vimos ou vivemos (embora neguemos) na rua, no trabalho, no lar. A coisa mexeu comigo também pelo fato de querer contar fatos corriqueiros em HQ, mas por motivos vários, nunca consegui. Quer dizer, já fiz isto com algumas histórias curtas de Zé Gatão, mas insiro ali sempre algum elemento de aventura escapista. Em American Splendor isto não acontece. Como diz o próprio Crumb na introdução da revista, ninguém naquelas páginas perde o controle e começa a explodir  as coisas. Não há um vilão, um herói, apenas pessoas e situações comuns. O atrativo além do desenho de Crumb, é a forma magistral, irônica e verdadeira com que Pekar narra tais fatos. Coisas do seu dia-a-dia.
As histórias são como aquelas conversas entre duas pessoas desconhecidas que você capta numa fila, num elevador, num balcão de bar. Tais assuntos muitas vezes você pega começado e muitas vezes nem saberá o final.
Uma observação precisa ser feita, Pekar editou seu gibi ao longo dos anos com artistas bem variados. Esta edição da Conrad junta todo o período em que Bob Crumb desenhou a revista.
A arte de Robert está como sempre afiada, este cara aliás, é aquela figura que faz questão de ser chata, que não gosta de nada, está sempre deprimido e tal. Não posso criticar, tenho muito disto também. Mas penso que ele é muito daquilo que desenha. A alma do cara está naqueles traços. Não é algo incomum nos artistas. Mas pouco são tão autênticos.
É um gibi leve. Sempre que leio, me divirto. Não gosto do sub-título que a editora adotou aqui ( Dois Anti-Heróis Americanos). Acho que fizeram isto pra aproveitar o barulho de um filme que fez sucesso baseado na obra de Harvey Pekar, intitulado Anti-Herói Americano, com o Paul Giamatti no papel do roteirista. Cara, não vi este filme até hoje. Mereço um tapa por isto.
Então amigos e amigas, se vocês estão de saco cheio das mesmices dos quadrinhos de heróis, mangás juvenis, biografias de autores depressivos (eu me considero um), experimente Bob e Harv. Um antídoto contra a prepotência de muitos quadrinistas.



terça-feira, 14 de dezembro de 2010

AO SOM DO SINO

O fôlego falta. A cabeça gira. Mal consigo perceber onde estou. Os deltóides queimam no esforço de manter os braços em guarda. As luvas pesam como chumbo.
O adversário ataca com um cruzado de direita. Percebo a tempo de me desviar. Mas não o suficiente para evitar um gancho de esquerda rápido como um látego. Vou à lona. 
Como quem se esforça para escapar de um sonho mal, ouço a voz do juiz fazendo a contagem, tento me erguer, vencer o peso do corpo que insiste em ficar colado ao chão. Num tempo que parece durar uma eternidade estou de novo em pé no ringue da vida, encarando o Destino, meu adversário que me encara com escárnio. Num segundo, sofro diversos jabs, as pernas vacilam, o sangue jorra do nariz, supercílios, por todos os meus poros. 
Foram tantas lutas perdidas, esta seria apenas mais uma. Tantos opositores. Descaso, Recalque. Fracasso. Solidão. 
Alguns eu derrotei.
Os rounds desta peleja durará até sexta-feira. Até lá, devo resistir. 
Um uppercut e sinto meu cérebro tentando escapar da minha caixa craniana. A menos que o impossível aconteça e eu consiga derruba-lo, a luta para mim já está perdida por pontos. Porque prossigo então? Me nego ser nocalteado.   
Destino luta sujo, golpeia com o cotovelo. O árbitro, não vê. Meus golpes atingem o vazio, ele se esquiva bem. Agora ele me esmurra os rins. O juiz deve ter sido comprado. 
Não posso mais. A vista antes turva agora escurece por um segundo. 
Ouço o sino. 
Bem a tempo.
No meu corner, ouço a voz daqueles que torcem por mim. Meus irmãos à direita, amigos à esquerda. Minha esposa e minha filha à frente. Eles dizem pra eu levantar a guarda. Pra eu resistir. Não os ouço direito. Escuto apenas zumbidos estáticos. 
Lembranças. 
Como as das imagens abaixo. Personagens criados para uma historia do gato que criei e nunca foi publicada. Mais uma luta que perdi.
Ao som do sino eu procuro forças nas pernas para me levantar. Onde elas estão?  Sem saber exatamente como, estou de novo no centro do ringue. 
Destino. Nunca acreditei nele. Devo vencer para provar que ele não me controla, mas sim eu a ele.
Com o único olho semi aberto que ainda tenho, noto ele avançar como um touro enfurecido. A multidão delira. A luta prossegue.



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

LAVADEIRAS


Bom dia pessoal, espero que tenham tido um bom fim de semana.
O meu foi tenso. Sabem, dá vontade de chutar tudo para o alto. Mandar as responsabilidades às favas.
É um bocado de pressão, e uma coisa ruim nunca vem desacompanhada.
Mas não vamos nos desesperar, está tudo sob controle, aliás, está tudo sob o controle de Deus, pois se fosse por mim estaria tudo perdido. 
As vezes bate esta depressão, esta impressão de que todo esforço é inútil para alcançar o que quer que seja. Tudo, no fundo, não passa de vaidade, como afirma o Eclesiastes.
Conversei com um amigo muito querido de Brasília no domingo. Foi como um copo de água fresca pra quem caminha a muito tempo no deserto. 
Mas não esquentem com meu desabafo, deve ser tudo frescura minha, crise de meia idade, o calor onipresente, a falta de dinheiro, sei lá. Mas tudo vai se ajeitar se Deus quiser.
Esta AGUADA foi criada para o novo Manual de Desenho com o intuito de explicar como aplicar água e nanquim sobre o papel. Foi difícil pois esta é uma técnica que não domino muito bem. Contudo, esta arte - assim penso - tem seu charme. Acho que consegui com a textura, demonstrar o peso que esta tarefa tem sobre os lombos destas trabalhadoras.
Labutar muito por pouco é algo que compartilho.
Aproveito aqui para agradecer aos que sempre me mandam mensagens de incentivo. Vocês nem imaginam o bem que isto faz.
Volto agora ao trabalho. 
Fiquem bem.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

CURUPIRA

Pessoal, hoje parece que mais uma vez é só problemas para resolver. Cheiro de fiação queimada em casa, luz oscilante, parede próxima ao disjuntor muito quente e finalmente blecalte geral. Se isto não é principio de incêndio, então não sei o que pode ser.
Minha missão agora é correr atrás de um eletricista que tope fazer o serviço pra receber após o Natal. Nenhum bobo faria isto. Eu, talvez.
Bem, passei na casa de um amigo pra usar o telefone e como sou abusado aproveito pra fazer esta postagem.
Este é um Curupira que fiz a muito tempo, na mesma época que aquele Lobisomem, usando a mesma técnica, ou seja, óleo sobre papelão. Esta imagem não foi tirada da arte original, claro, mas de uma foto.
Bom fim de semana pra vocês, o meu nem sei como será.

  

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

OS QUADRINHOS E O ROCK

Bom dia a todos.
Meu editor e amigo a mais de 20 anos (que também me serve de agente ocasionalmente) me ligou certa tarde do ano passado, para me falar de sua amizade com o vocalista de uma famosa banda de hard-rock brasileira e o projeto para uma história em quadrinhos. Um parêntese aqui. Pra evitar dor de cabeça, vou omitir nomes, tanto da banda como do editor.
Meus textos muitas vezes soam amargos, ácidos ou irônicos, e em sua maioria, não é intencional. Então, para não ser mal interpretado....
A banda é muito famosa, cantam em inglês e faz mais sucesso no exterior que no Brasil. Gostava de algumas músicas quando o cantor era outro.
Mas vamos aos fatos. Eles queriam encartar um álbum em quadrinhos junto ao próximo CD. Disseram ainda que iam publicar a história na HEAVY METAL AMERICANA.
Hum, Heavy Metal? Nada mal, pensei eu com a boca salivando. Claro que estou velho pra este tipo de coisa, mas vá que os integrantes sejam conhecidos do Kevin Eastman? As chances eram boas.
Me enviaram um roteiro e eu deveria fazer algumas páginas teste.
Fiz.
Acharam o meu traço demodê, muito anos 80, segundo opinião dos caras da banda. Foram atrás de alguém com um traço estilo mangá.
Na boa, não fiquei chateado não. Estou ciente que só fiz aquele teste devido a amizade do vocalista com meu editor e deste comigo. Eles tem todo o direto de não gostar do meu trabalho. Eu mesmo, embora reconheça o talento e a importância do John Byrne, nunca curti as coisas que ele fazia. A vida é assim.
A primeira página destas três que vocês visualizam hoje, foi finalizada pros caras sacarem o estilo que ficaria toda a HQ. Como não gostaram, resolvi criar alguma coisa a partir dali só pra curtir, e saíram mais duas cenas com técnicas distintas. Estavam esquecidas lá, no meio da minha bagunça.
Resolvi dar uma chance a elas.
Será que fiz bem?



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

NATUREZA MORTA ( 04 )

Salve, amigos e amigas.
Espero que esteja tudo em paz com vocês.
Passei aqui apenas para não desapontar aos que entram no meu blog a espera de novidades.
Deixo com vocês mais uma natureza morta. Feita em aquarela para um dos tantos manuais de desenho que criei.
Agora volto ao trabalho pra não passar o Natal apenas olhando as vitrines e os credores batendo à minha porta.
Fiquem bem.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PAPEL TATUADO.

Queridos amigos e amigas, boa tarde.
Ontem, minha luminária, fiel companheira de tantos anos (juntamente com a prancheta), teve um ataque súbito, me deixando no escuro, ou melhor, parcialmente mal iluminado. Não foram as lâmpadas, foi a dita cuja mesmo.
O pior é que estou sem grana nenhuma pra mandar arrumar, ou substituí-la por uma versão mais moderna. A solução pra não parar o trabalho foi tirar a lâmpada da sala que é bem forte e colocar no meu estúdio até que possa resolver a situação. Até lá ficarei com as vistas ardendo no final do expediente. Ossos do ofício.
A gorda que vocês contemplam hoje, por pouco não foi capa de uma revista em quadrinhos. Não exatamente esta, mas um clone dela.
Explico.
Este é um dos antigões, feito em fins dos 80 em Brasília. Lápis sobre sulfite. O fixador utilizado, fiz eu mesmo em casa (hoje não lembro mais como se faz, perdi a receita, acreditam?) e devo ter exagerado em algum elemento que amarelou a ilustração, dando um "Q" de foto antiga.
No início dos 90, esta e algumas outras artes me acompanhavam nas visitas que eu fazia às editoras do período, em São Paulo. O Franco de Rosa e o Drago dividiam um estúdio que ficava na Praça da Árvore. Ali as ruas tem nomes de flores (legal isto). Fui lá mostrar algumas páginas de HQ. O Franco já conhecia o meu trabalho, mas para o Drago era novidade. Ele se encantou por este desenho. Encomendou-me uma réplica dele, com o mesmo tom amarelado. A única diferença é que eu deveria faze-la toda tatuada. Seria a capa de um gibi que eles estavam desenvolvendo.
Fiz o trabalho. Infelizmente, aqui no Brasil muitos projetos morrem antes de nascer. E a revista cujo nome seria "Papel Tatuado", nunca viu a luz do dia e a minha capa ficou no limbo, apesar de ter recebido por ela.
Dia destes o Franco me falou que viu o desenho da gorda tatuada. Só não mencionou se estava com ele ou com o Drago. Bem, não faz diferença agora. A menos que um dia eles retomem o projeto. Dizem que as coisas estão melhorando para os quadrinhos nacionais. Será mesmo?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

BEATLES X RAMONES


Pronto. Completei 48 anos, finalmente.
Eu digo finalmente, porque esta idéia não abandonou o centro dos meus pensamentos nos últimos meses. E embora o tempo tenha passado tão ligeiro que mal me dei conta, a data do aniversário pareceu demorar mais que o habitual pra chegar. Estranho? Nem tanto. A ansiedade tem o poder de fazer as coisas diminuirem o rítmo. Estou mais velho e não estou mais sábio, só um pouco mais louco.
Já não me incomoda os anos cobrarem sua fatura, sei que o auge da minha vida passou pelo menos a 15 anos e quanto a isto não há nada que eu possa fazer.
E já que o assunto é a passagem do tempo e como isto nos afeta, falemos um pouco sobre rock in roll e o desenho que acompanha esta postagem.
Ramones? Eu curtia uma música que tocava na rádio, chamada Poison Heart. Acho que era tema do filme Cemitério Maldito do Stephen King. Banda muito boa, visceral. Mas nunca pegou na minha veia. Assisti ao vídeo que conta a biografia dos caras e achei tudo muito triste.
Em contrapartida Beatles foi uma mania na minha vida por muitos anos. Mas este é um assunto que não se esgota. Vira e mexe, estão sempre descobrindo novidades. E a banda nunca deixa de ser o centro das atenções. Como grupo, Os quatro sempre foram geniais dentro de seus respectivos espaços. Mas sempre foi evidente que o John Lennon chamaria mais atenção por causa da sua história de vida. Sempre foi o meu beatle preferido, suas músicas me chamavam mais atenção. E foi a única coisa que restou quando, com o passar dos anos, fui conhecendo-o melhor. Seu temperamento explosivo, suas idéias esquerdistas equivocadas e por aí vai, mas o que mais maculou a relação ídolo/fã, foi seu comportamento anti-cristão. E antes que alguém aí pense que sou um fundamentalista ( pra usar uma palavra da moda ), deixe-me esclarecer que todos temos livre arbítrio, fazemos nossas escolhas (e evidentemente pagamos o preço por elas), mas usar a fama e o prestígio para desmerecer algo que lhe é caro, não dá para aceitar. Como exemplo para o que digo, conheço alguns vegetarianos. Nunca questionei a opção de vida deles, mas já fui acusado, de ser assassino de animais. Lennon podia não gostar de Jesus, mas que tivesse deixado em paz aqueles que gostam. Agora quanto a música... ah, ele tinha o dom. Não dá pra negar.
Um grande amigo meu, que gosta tanto dos Beatles quanto dos Ramones, pediu-me pra fazer um desenho com as duas bandas integradas. Ele sabe que sou chato, demorei pra fazer, mas um dia a arte saiu. Agora está lá na parede da casa dele. Não dá pra escanear com aquela moldura. Ele fotografou e enviou para mim. Como vocês podem notar ele não é egoísta.
Por hoje é só.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

AQUARELA RÁPIDA

Não planejei, mas noto que venho alternando trabalhos antigos com artes novas.
Natural, demora mais para esgotar as reservas, e me dou ao luxo de viajar na nostalgia.
Devido a pressa para cumprir os prazos, nem tenho tempo pra pensar no que será postado, daí, a primeira coisa que me veio à mente foi colocar a arte que fiz hoje pela manhã para o Manual de Desenho. Uma aquarela rápida. Mais recente que isto, impossível. Como estou na correria pra entregar os trabalhos e receber antes do natal, tenho que acelerar todo o processo.
O pior é que hoje pela manhã me sentei com a Verônica para fazer as contas e tomei um susto. Pagando o que devo aos amigos e algumas prestações atrasadas, mal vai dar pra passar o Natal. Mas tudo bem, sem dívidas já dá pra começar o ano, e tem trabalho na fila me esperando. As vezes eu queria ser ser como aquele personagem do Watchmen, me multiplicar pra dar conta de vários afazeres.
Mas de que adianta lamentar? Cest la vie.
Agora deixa eu voltar ao ofício. Um bom final de semana a todos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

UM LOBO DAS ANTIGAS

Nestes últimos tempos o corre-corre tem sido intenso e parece não haver rendimento no esforço. Com a chegada das festividades de fim de ano então a coisa piora. Mas estou em dia com o Manual de Desenhos e as ilustrações dos infantis.
Bem, como gosto de alternar artes antigas com trabalhos recentes, temos hoje mais um de tempos remotos.
Este, se não me engano é de 1994. Trabalhei um período numa agencia de publicidade cujo dono não entendia de merda nenhuma (incrível como dou sorte com tipos assim!), não foi a toa que faliu meses depois de abrir. A tal agencia se localizava na Av. Nossa Sra. do Sabará. Eu pegava o ônibus no Largo São Francisco e levava mais de 50 minutos até o local. Imagino que hoje, com o atual trânsito paulista, eu fosse chegar já na hora de de encerrar o expediente (o que não seria mal, pois aquilo era muito chato!).
Certo dia, sem ter o que fazer, peguei um lápis de cor e deixei a mão trabalhar ausente da cabeça e saiu este lobinho.
Algumas pessoas me perguntam: "Qualé a deste lobo, Eduardo ?" A última foi o Nestablo. Acham algo de enigmático na figura.
Parece andrógino? Na boa, não vejo nada demais. É só um lobo. Apenas uma ilustração para desopilar o fígado em meio ao caos cotidiano. GRRRRR......

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ZÉ GATÃO. ( O VÍDEO )

Ricardo Bermudez é um grande amigo que tenho.
Já tirou a corda do meu pescoço no exato minuto em que o carrasco ia puxar a alavanca do patíbulo umas tantas vezes.
É desenhista, músico (dos bons), designer, publicitário e, pelo que conheço dele, qualquer coisa relacionada as artes. Se bobear ele se sai bem até como carpinteiro ou físico nuclear. Não se intimida diante de um desafio.
Ricardo começou a despontar no cenário artístico de Brasilia, ainda no início dos anos 80, como tecladista em um conjunto de rock chamada "OS CULPADOS". Foi naqueles anos áureos que muitas bandas foram catapultadas ao estrelato. Não vou dissertar sobre isto pois não é o tema da postagem, tampouco vou dar a biografia do meu amigo Bermudez, por não ter a permissão dele para faze-lo. Só fica aqui registrado meu apreço e homenagem a este grande ser humano que nunca me negou a mão. A última façanha dele para comigo, foi a criação do vídeo do Zé Gatão que está no You Tube.
Era uma idéia antiga que eu tinha, mas não havia ninguém capacitado para faze-lo como eu imaginava. O maior problema era a música, o som que acompanharia as cenas. Na minha cabeça eu pensava em algo como aqueles primeiros acordes de Tom Sawyer do RUSH, mas queria algo original. Tive que recorrer ao Ricardo que criou a trilha para as cenas que eu havia desenhado alguns anos antes. Não só isto, ele fez toda a edição. Música e imagens fizeram um perfeito casamento. Estou certo de que com os recursos necessários ele daria um ótimo diretor de cinema. Vocês podem pensar que é exagero meu, mas não é. Basta conhece-lo para testificar.
Para quem não conhece o vídeo, é só conferir agora, quem já assistiu, coloque em tela cheia e assista de novo, de preferência no volume máximo.


Ricardo, obrigado por tudo cara. Beijos pra você e família.